Por André Santos
Editor responsável · Viver em SC
Fontes consultadas: IBGE PNAD 2019 via NSC Total e CRMV-SP · ABINPET / Senado Federal (panorama do setor 2024-2025) · Instituto Pet Brasil · QuintoAndar Imprensa (levantamento 2T2024) · ALESC (Lei Estadual 18.215/2021) · Site oficial Construtora Dallo (Maison Lafayette) · Lumis Construtora (VOSS Porto Belo)
Em 2T2024, 43% dos imóveis locados no Brasil pela QuintoAndar já vinham com pet, contra 35% em 2T2019 (QuintoAndar Imprensa, setembro/2024). Em Santa Catarina, 1,4 milhão de domicílios (cerca de 53,3% das residências) tinham pelo menos um cachorro em 2019 segundo o IBGE PNAD (NSC Total citando IBGE). O cruzamento muda a tese de quem decide aluguel anual em SC em 2026.
A leitura óbvia é “não aceito pet”. A precisa é outra: ao recusar pet, o investidor exclui mais da metade do pool de inquilino disponível na sua cidade catarinense, e a contrapartida em proteção do imóvel não compensa o ciclo de vacância mais longo que esse filtro produz. O ViverEmSC é uma plataforma editorial independente de análise de investimento, não é imobiliária. O que segue é leitura de mercado para o decisor patrimonial separar reflexo conservador de cálculo.
Os números que separam reflexo de tese
Antes de comparar cidade contra cidade, três fotografias oficiais distintas precisam estar separadas, porque cada uma responde a uma pergunta diferente do decisor.
Demografia do tutor brasileiro. O IBGE estimou em PNAD 2019 que 46,1% dos domicílios brasileiros tinham pelo menos um cachorro, contra 44,3% na PNS 2013 (CRMV-SP citando IBGE). Pelo Senado Federal e ABINPET, o Brasil chegou a 160,9 a 167,6 milhões de animais de estimação entre 2024 e 2025, terceira maior população pet do mundo (Senado Federal). O Instituto Pet Brasil registra média de 1,8 animal por residência (IPB). É a foto da demanda potencial em qualquer mercado urbano.
Demografia do tutor catarinense. Em SC, o IBGE PNAD 2019 apontou 1,4 milhão de domicílios com cão, cerca de 53,3% das residências (NSC Total via IBGE), e 515 mil com gato (19,5%). Pelos dados regionais, 17,6% da população pet do Brasil está no Sul. SC fica abaixo da média de RS e PR (58,7% com cães), mas bem acima da média nacional. É a foto do pool de inquilino que o decisor catarinense encontra ao abrir o anúncio.
Comportamento na locação. A QuintoAndar publicou em setembro/2024 que 43% dos imóveis locados no Brasil pela plataforma no 2T2024 já vinham com pet, contra 35% em 2T2019 e pico de 45% no último trimestre de 2022 (QuintoAndar Imprensa). O dado adicional que importa: “aceita pet” é o sexto filtro mais usado na plataforma, atrás de quartos, preço e área. É a foto do filtro de demanda na hora do clique.
A conta que poucos proprietários fazem
A combinação dos três indicadores produz conclusão direta. Em SC, só o universo com cão representa mais da metade dos potenciais inquilinos. No Brasil, somando cães e gatos, são quase 48 milhões de domicílios com pet (Correio Braziliense via IBGE PNAD 2019). O anúncio com “não aceita pet” remove essa parcela, e o filtro sendo o sexto mais usado significa que o inquilino marca a caixa antes de o imóvel aparecer.
A QuintoAndar não publica yield desagregado entre imóveis pet friendly e fechados, e essa é lacuna real desta leitura: o prêmio numérico de yield pela aceitação de pet em SC não está em fonte pública. O que está registrado é o lado oposto, a demanda comprovadamente maior para quem aceita: 43% dos contratos saem com pet e o filtro é o sexto mais usado. A inferência conservadora que cabe na análise de investimento é simples: ciclo de vacância mais curto e pool mais amplo, sem afirmar número de yield premium.
O setor pet no Brasil deve fechar 2025 em R$ 78 bilhões, crescimento de 3,5% sobre 2024 (Ministério da Agricultura citando ABINPET). Para o decisor patrimonial, é prova quantitativa de que o tutor aloca parcela significativa do orçamento ao animal, e a decisão de moradia segue essa alocação.
Leitura dos dados
O dado direto está na primeira linha do quadro. Em SC, recusar pet exclui de partida mais da metade dos lares disponíveis para fechar contrato anual. Em cidade onde o aluguel anual compete com Airbnb, condomínio profissional e venda direta, abrir mão de mais de cinquenta por cento do pool é decisão patrimonial de peso, ainda mais quando a contrapartida (risco de dano, sinistro maior) não tem dado público em SC que dimensione o impacto frente à perda de pool.
O que a imprensa local diz
“No ano passado, 1,4 milhão de domicílios catarinenses tinham pelo menos um cachorro.” NSC Total, Cristian Edel Weiss, setembro/2020 citando IBGE PNAD 2019
“Muitos até planejam viagens e procuram praias pet friendly, ou seja, que aceite a permanência dos bichinhos de estimação.” ND Mais, Beatriz Nunes, dezembro/2024
“A nova legislação visa reconhecer e incentivar estabelecimentos que estejam preparados para receber, além dos turistas, seus animais de estimação.” ClickCamboriú, Carolina Modesto, julho/2025 sobre o Selo Turismo Pet Friendly BC
“O objetivo, segundo a prefeitura, é posicionar Balneário Camboriú como referência nacional no segmento de turismo pet friendly.” ClickCamboriú, Carolina Modesto, julho/2025
“Localizado dentro do Parque Linear Via Verde, o ParCão é um espaço especialmente dedicado aos animais de estimação.” OCP News, Maria Luiza Venturelli, abril/2024 sobre Jaraguá do Sul
O que a Lei diz, e por que importa para o investidor
A Lei Estadual 18.215/2021 sancionada em 22/09/2021 trouxe regra clara para SC. “É livre a habitação e circulação, em qualquer dia da semana e horário, de animais domésticos pertencentes ao proprietário de imóvel”, afirma o texto publicado no portal da ALESC (Assembleia Legislativa de Santa Catarina). A mesma lei veda impor a saída ou ingresso do proprietário, inquilino ou visitante com seu animal pelo portão de serviço, e o dever de higienização das áreas comuns fica com o condutor do animal.
Em maio/2019, o STJ definiu jurisprudência nacional: condomínio não pode proibir genericamente a presença de animais domésticos. A restrição só é válida quando há comprovação de prejuízo a sossego, salubridade ou segurança (Agência Brasil citando STJ). Para o investidor catarinense, o ambiente regulatório é favorável: a presunção legal é de liberdade de pet em condomínio, e a convenção que afirma o contrário está vulnerável.
O recorte municipal pesa no comportamento do tutor de praia, não no contrato anual. Em Florianópolis (Lei Complementar 094/2001), Itajaí (Lei 3.579/2000), Balneário Camboriú (Lei 2.445/2005) e Itapema (Lei 4.382/2023), a presença de pet em faixa de areia segue proibida (NDMais). Em fevereiro/2025, a prefeitura de Florianópolis enviou projeto de lei propondo liberar cães em praias da capital com horários e locais regulamentados (ND Mais).
Em paralelo, Balneário Camboriú instituiu o Selo Turismo Pet Friendly BC pela Lei Municipal 5.054/2025 (Prefeitura de BC). Calçadão da Avenida Atlântica, Molhe da Barra Sul, letreiro “I Love BC” e Molhe da Barra Norte são oficialmente pet friendly, com parquinhos pet na 4ª Avenida, Avenida Brasil e Praça Higino Pio (Secretaria de Turismo de BC). Em Joinville, o Parcão Toscana de 2,6 mil m² foi inaugurado em junho/2024 (Vale dos Pets). Em Jaraguá do Sul, o ParCão do Parque Linear Via Verde tem rampas, túneis e escadas para socialização (OCP News).
A leitura agregada é direta: quanto mais infraestrutura pet a cidade entrega, mais o tutor incorpora o animal à rotina urbana, e mais o filtro de aceitação se firma como variável de busca no contrato de moradia.
A leitura do prefeito de Florianópolis
Sobre o PL que propõe liberar cachorros em praias de Florianópolis, o prefeito Topázio Neto afirmou em reportagem da ND Mais (Gabriela Ferrarez, fevereiro/2025): “Vamos avaliar os locais e horários mais movimentados, para evitar esse conflito de pessoas com animais.” A declaração sinaliza direção útil para o decisor: a política municipal catarinense migra de “pet barrado” para “pet regulamentado”, e isso pesa em condomínios, infraestrutura urbana e nas preferências do inquilino.
O que o lançamento entrega em 2026
Quem entra em lançamento catarinense agora encontra área pet listada entre as comodidades padrão de quase todo empreendimento de ticket médio para cima. Três casos com confirmação direta no site oficial ou em listagem oficial reproduzida em portal especializado.
Maine, em Itapema. Apartamento de 3 quartos, 121 a 187 m², 23 andares, na Meia Praia. Pet park integra a lista de comodidades, ao lado de piscina, salão de festas, espaço gourmet, brinquedoteca, sala de jogos, spa zen, sauna, fitness e playground (catálogo agregando lista oficial Dallo via MySide). Construtora: Dallo Empreendimentos.
Maison Lafayette, em Itapema. Endereço oficial: Rua 254, número 215, Meia Praia, Itapema/SC. 38 andares, 2 unidades por andar, 185 m², 4 suítes, 3 vagas, entrega dezembro/2025. Pet Place e Pet Care entre as comodidades, ao lado de piscinas, salão de festas, brinquedoteca, sala de jogos, spa e sauna (site oficial Construtora Dallo).
VOSS Residence, em Porto Belo. Endereço oficial: Rua Egídio Cuculo, número 100, Balneário Perequê. Apartamentos de 2 e 3 suítes, 3 unidades por andar, 2 vagas, entrega abril/2026. Pet place entre as comodidades, com pub interno e externo, academia, piscina aquecida, prainha, playground e salão de festas (landing page oficial Lumis Construtora).
A construtora-âncora deste post é a Dallo Empreendimentos, sede em Itapema, com 45 lançamentos e 27 entregas. Dois ativos na Meia Praia, Maine e Maison Lafayette, levam pet park ou pet place entre as comodidades padrão, o que confirma como o filtro pet deixou de ser diferencial para virar exigência de catálogo no ticket Itapema premium.
A leitura para o decisor é direta: quem entra hoje em lançamento sem área pet em SC entra em produto que já nasce desatualizado, porque o concorrente da mesma quadra entrega o item. No secundário, imóvel pronto sem cláusula que aceite pet compete com produto novo com pet place integrado, e essa concorrência pesa no tempo de absorção.
Investimento
Yield premium pet friendly em SC não tem dado público desagregado. A leitura aqui é qualitativa: demanda comprovadamente maior pelo lado do pool e do filtro. Fontes: IBGE PNAD 2019 via NSC Total e CRMV-SP, QuintoAndar Imprensa, ABINPET, ALESC, sites oficiais Dallo e Lumis.
Para quem aceitar pet em SC faz sentido
Três conclusões factuais que cabem na análise patrimonial, sem extrapolar.
Aceitar pet faz sentido para reduzir vacância em aluguel anual de cidade catarinense média ou grande. Com 53,3% dos lares com cão em SC e 43% dos contratos QuintoAndar já com pet, o pool de “famílias com pet” é o mais barato de capturar via filtro, e o ciclo de absorção tende a ser menor. Vale especialmente em Joinville, Blumenau, Jaraguá do Sul, Chapecó e Itajaí, mercados de morador estável onde aluguel anual é o ativo dominante.
Aceitar pet faz sentido para quem decide lançamento em Itapema, BC ou Porto Belo. Empreendimentos de ticket médio premium já entregam pet place ou pet park entre as comodidades padrão, conforme Maine, Maison Lafayette (Dallo) e VOSS Residence (Lumis). Quem compra em planta sem essa comodidade entra em produto que perde no comparativo de catálogo, e o desconto futuro na revenda ou no aluguel tende a pesar mais que a economia inicial.
Quem deve calibrar com critério. Investidor com imóvel em condomínio residencial pequeno e antigo, sem áreas comuns adequadas, precisa ler convenção à luz da Lei 18.215/2021 e da decisão do STJ de 2019. A presunção é favorável ao pet, mas norma interna que comprove prejuízo a sossego, salubridade ou segurança ainda pode restringir. A due diligence pré-compra deve incluir leitura explícita da convenção, igual à due diligence para Airbnb. O ponto não é se aceitar pet, é em qual produto o “sim ao pet” é viável sem fricção.
FAQ
Perguntas frequentes
Quantos domicílios em SC têm cão segundo dado oficial?
Aceitar pet em aluguel anual em SC realmente aumenta o yield?
O condomínio em Santa Catarina pode proibir animais por convenção?
Quais empreendimentos novos em SC já entregam área pet entre as comodidades?
Posso levar meu cachorro nas praias de SC em 2026?
Como o ViverEmSC ajuda decisores patrimoniais a calibrar o filtro pet friendly em SC?
Conclusão: a leitura precede a cláusula
O proprietário catarinense que escreve “não aceita pet” no anúncio em 2026 não aperta filtro técnico, está retirando do contrato o pool dominante do mercado em que opera. 53,3% das residências de SC têm cão. 43% dos contratos da maior plataforma de aluguel anual do Brasil já vão com pet, contra 35% cinco anos antes. Aceita pet é o sexto filtro mais usado, à frente de quase tudo que não seja preço, quartos e área. A lei estadual garante livre circulação. A jurisprudência do STJ veta proibição genérica. Os lançamentos de ticket premium em Itapema, Meia Praia e Porto Belo já entregam pet park ou pet place como comodidade padrão, conforme Dallo e Lumis confirmam. O yield premium desagregado não está em fonte pública e este post não inventa o número. O lado documentado é o mais robusto: demanda comprovadamente maior. Para o decisor patrimonial que opera Santa Catarina em 2026, recusar pet é decisão deliberada, não default conservador, e quem toma essa decisão deveria saber qual fatia do mercado está deixando fora do funil antes de assinar o anúncio.
Por André Santos
Editor responsável · Viver em SC
Fontes consultadas: IBGE PNAD 2019 via NSC Total e CRMV-SP · ABINPET / Senado Federal (panorama do setor 2024-2025) · Instituto Pet Brasil · QuintoAndar Imprensa (levantamento 2T2024) · ALESC (Lei Estadual 18.215/2021) · Site oficial Construtora Dallo (Maison Lafayette) · Lumis Construtora (VOSS Porto Belo)
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Informações extraídas de fontes públicas (FipeZap, IBGE, CRECI-SC, MySide, sites oficiais das construtoras, entre outras) e revisadas pela redação. Se encontrar um erro, relate aqui.