Referência

Glossário do mercado imobiliário

Definições aplicadas ao contexto catarinense, com dados reais e exemplos das principais cidades de SC. 40 termos organizados por grupo. Use Ctrl+F para buscar um termo específico.

Este glossário tem caráter informativo. Para decisões de compra, financiamento ou investimento, consulte profissionais qualificados (corretor CRECI-SC, advogado imobiliário, contador).

Compra, venda e financiamento

ITBI
Imposto de Transmissão de Bens Imóveis. Tributo municipal pago pelo comprador na escritura, calculado sobre o valor venal ou de venda do imóvel. Em Santa Catarina, varia entre 2% e 3% conforme o município (Florianópolis cobra 2%, Balneário Camboriú 2,5%, Joinville 2%).
Escritura pública
Documento lavrado em cartório de notas que formaliza a transferência do imóvel entre vendedor e comprador. Obrigatória para imóveis acima de 30 salários mínimos. Custo médio em SC: 1% a 1,5% do valor do imóvel.
Registro de imóvel
Ato pelo qual a propriedade é efetivamente transferida ao comprador, feito no Cartório de Registro de Imóveis da circunscrição do imóvel. Sem registro, o comprador não é dono perante terceiros. Custo: cerca de 1% do valor do imóvel.
Habite-se
Documento emitido pela prefeitura atestando que a obra está concluída conforme o projeto aprovado e pode ser habitada. Imóvel sem habite-se não pode ser financiado por bancos nem registrado regularmente.
Matrícula do imóvel
Identificação única do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis. Funciona como o "CPF do imóvel": contém histórico de proprietários, ônus, hipotecas, penhoras. Sempre solicitar antes de comprar.
Financiamento imobiliário
Empréstimo concedido por banco ou instituição financeira para compra de imóvel, com o próprio imóvel como garantia (alienação fiduciária). Prazo típico de 20 a 35 anos, taxas em 2026 entre 9% e 12% ao ano + TR.
SBPE
Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo. Modalidade de financiamento com recursos da caderneta de poupança, geralmente com taxas mais baixas. Limite de financiamento até 80% do valor do imóvel.
FGTS na compra
Trabalhador com 3 anos de FGTS pode usar o saldo para entrada, amortização ou quitação de financiamento de imóvel residencial avaliado até R$ 1,5 milhão (limite 2026), em município de residência ou trabalho.
Consórcio imobiliário
Grupo de pessoas que se reúne para autofinanciar a compra de imóveis via sorteio mensal e lances. Sem juros, mas com taxa de administração (típica 15% a 25% do valor do imóvel diluída no prazo). Não há garantia de quando o crédito sai.
Tabela Price vs SAC
Sistemas de amortização do financiamento. SAC tem parcelas decrescentes e juros menores no total; Price tem parcelas fixas e juros maiores no total. Maioria dos bancos brasileiros oferece SAC.

Avaliação e mercado

Preço por m² (preço médio)
Valor médio do metro quadrado em uma região, calculado pela divisão do preço total pela área privativa. Indicador-base para comparar imóveis e cidades. Em SC em 2026: Balneário Camboriú lidera com R$ 15.072/m².
Índice FipeZap+
Principal indicador de variação de preços de imóveis residenciais no Brasil, divulgado mensalmente pela Fipe e pelo portal Zap. Cobre 50+ cidades, atualiza dia 5 de cada mês.
VGV
Valor Geral de Vendas. Soma do valor potencial de todas as unidades de um empreendimento. Indicador usado para medir tamanho de lançamento e da operação de uma construtora. Empreendimentos premium em BC têm VGV típico entre R$ 200 milhões e R$ 1 bilhão.
Liquidez do imóvel
Velocidade com que um imóvel pode ser vendido pelo preço de mercado. Imóveis em bairros com alta demanda (Centro de Floripa, Meia Praia em Itapema) têm liquidez alta; em bairros emergentes, baixa.
Valorização anualizada
Taxa anual média de aumento do preço de um imóvel ou região, geralmente medida em períodos de 5 ou 10 anos. Itapema entregou 22,1% ao ano entre 2019 e 2024 segundo CRECI-SC.
Yield
Rentabilidade anual do aluguel sobre o valor do imóvel. Calculado: (aluguel mensal × 12) / valor do imóvel × 100. Imóveis residenciais em SC têm yield típico entre 3,5% e 5,5% ao ano.
Cap rate
Taxa de capitalização. Similar ao yield mas considera receita operacional líquida (descontados impostos, condomínio, vacância). Mais usado em imóveis comerciais.
ROI imobiliário
Return on Investment. Soma da valorização do imóvel + receita de aluguel - custos, dividida pelo capital investido. Indicador completo de retorno do investimento imobiliário.

Aluguel e renda

Aluguel anual (longo prazo)
Locação tradicional com contrato de 30 meses pela Lei do Inquilinato (Lei 8.245/91). Aluguel reajustado anualmente pelo IGP-M ou IPCA. Modalidade de menor risco e menor retorno.
Aluguel de temporada
Locação por curta duração (até 90 dias), tipicamente para turismo. Em SC, modalidade dominante no litoral nas temporadas de verão. Diárias em BC e Itapema variam de R$ 400 a R$ 2.000 no verão.
Taxa de ocupação
Percentual de noites ocupadas em relação ao total disponível. Imóveis bem geridos no litoral de SC alcançam 60-70% de ocupação anual; mal geridos ficam em 30-40%.
ADR
Average Daily Rate. Diária média recebida pelo imóvel ao longo do ano. Em Balneário Camboriú em 2025, ADR médio de apartamentos 2 quartos foi R$ 580 (fonte: AirDNA).
RevPAR
Revenue per Available Room. Receita média por dia disponível, considerando ocupação. Calculado: ADR × taxa de ocupação. Indicador-chave de rentabilidade em aluguel de temporada.
Garantias do aluguel
Modalidades aceitas pelo locador: fiador, caução em dinheiro (até 3 aluguéis), seguro-fiança (custa 5% a 8% do aluguel/mês) ou título de capitalização.
Vacância
Período em que o imóvel fica desocupado entre locações. Imobiliária boa mantém vacância abaixo de 30 dias entre contratos.

Condomínio e comum em prédios

Taxa de condomínio
Valor mensal pago pelos condôminos para manter despesas comuns: limpeza, segurança, manutenção, água, etc. Em prédios de alto padrão em BC, varia de R$ 1.500 a R$ 4.000.
Fundo de reserva
Percentual adicional do condomínio (10% a 20%) destinado a obras emergenciais e reformas estruturais. Importante avaliar antes de comprar: prédios com fundo zerado podem cobrar rateios extras.
Convenção de condomínio
Documento que rege as regras do condomínio: uso de áreas comuns, animais, reformas internas, locação por temporada. Algumas convenções proíbem Airbnb.
Assembleia de condomínio
Reunião anual obrigatória onde se aprovam orçamento, prestação de contas, obras e novas regras. Ata fica registrada e é leitura recomendada antes de comprar imóvel em prédio.

Empreendimentos novos

Imóvel na planta
Compra antes da obra começar ou durante a construção. Vantagem: preço menor (10-30% abaixo do pronto) e parcelamento durante obra. Risco: atraso, problema com construtora, mudança no projeto.
Tabela de preços
Documento que lista preços de todas as unidades de um lançamento, com plano de pagamento, taxas e condições. Exigir antes de fechar negócio em planta.
Memorial descritivo
Documento técnico que detalha materiais, acabamentos e especificações da obra. Comparar com o que foi prometido na venda é crítico.
Patrimônio de afetação
Mecanismo legal que separa o patrimônio de cada empreendimento do patrimônio geral da construtora. Protege o comprador em caso de falência da construtora. Exigir construtora que use patrimônio de afetação.
Distrato
Cancelamento da compra de imóvel na planta pelo comprador. Lei do Distrato (13.786/18) permite reter até 50% do valor pago pelo comprador. Antes da lei, devolução era próxima de 100%.
Permuta
Modalidade comum em SC: o proprietário do terreno cede a área para a construtora e recebe unidades prontas em troca. Permite construir sem capital prévio.

Urbanismo e regulação

Plano Diretor
Lei municipal que define o que pode ser construído em cada região da cidade: gabarito (altura máxima), uso (residencial, comercial, misto), densidade. Mudanças no Plano Diretor afetam diretamente preço dos terrenos.
Outorga onerosa
Pagamento ao município para construir acima do que o Plano Diretor permite originalmente. Permite arranha-céus em zonas onde o limite básico é menor. Comum em BC e Itapema.
IPTU
Imposto Predial e Territorial Urbano. Tributo municipal anual sobre o imóvel, calculado a partir do valor venal. Em Florianópolis varia de 0,3% a 1,2% conforme tipo e localização.
Valor venal
Valor do imóvel definido pela prefeitura para fins de cálculo de IPTU e ITBI. Geralmente abaixo do valor de mercado (50-70%).
Zoneamento
Divisão do território urbano em áreas com regras específicas de uso e ocupação. ZR (residencial), ZC (comercial), ZUM (uso misto), ZE (especial), entre outras.

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