Por André Santos
Editor responsável · Viver em SC
Fontes consultadas: ND Mais (MySide nov/2025 e set/2025) · NSC Total (Casa Temporada dez/2025) · Economia SC (jan/2026) · FOHB SC (NSC Total dez/2024) · Governo de SC / Secom Estação Verão 2026 · FipeZap via MySide (abr/2026)
O piso de 8% ao ano em yield bruto é referência simples para quem decide investir em imóvel de temporada em Santa Catarina: é o patamar em que a renda corrente de diárias começa a competir, em termos brutos, com renda fixa atrelada à Selic. Acima dele, a tese imobiliária entrega caixa relevante. Abaixo, o investidor paga por outra coisa, valorização patrimonial ou uso pessoal. Saber em quais cidades esse piso é efetivamente cruzado, em qual recorte metodológico e com que ressalvas, é o que separa o decisor patrimonial do investidor que olha apenas o pico do verão.
Esta análise é uma plataforma editorial independente, não é imobiliária. O recorte é direto: quais cidades de SC cruzam 8% de yield bruto anual no aluguel de temporada em 2026, segundo fontes públicas, e o que acontece quando se desconta a Reforma Tributária 2026 e os custos operacionais.
Yield bruto anual vs ROI composto: a diferença metodológica que muda a resposta
Em 2025 e 2026, três tipos de número circularam para o mesmo mercado de temporada em SC, e eles não são comparáveis entre si.
O primeiro é o ROI composto 2019-2024 (MySide set/2025 via ND Mais): valorização do ativo somada às diárias acumuladas em seis anos. Indicador histórico. Itapema 17%, BC 15,9%, Itajaí 15,5% e Floripa 14,3% (ND Mais).
O segundo é o retorno médio anual de diárias (MySide nov/2025 via ND Mais): yield corrente anualizado de temporada, sem valorização. É o recorte que importa para este post. Apenas três cidades catarinenses cruzam 8% nesse recorte: Itapema 12,8%, BC 9,6% e Floripa 8,4% (ND Mais).
O terceiro é o faturamento absoluto médio de temporada (Casa Temporada dez/2025 via NSC Total): receita em reais, não em percentual. Complementar ao MySide, não substituto. Floripa R$ 16.000 e ocupação 88%, BC R$ 15.500 e 87%, Bombinhas R$ 14.000 e 85%, Itapema R$ 13.500 e 82% (NSC Total).
Para “onde o yield bate 8%” em 2026, o número que importa é o segundo. Os outros dois contextualizam, nunca somam.
As três cidades de SC que cruzam 8% de yield bruto anual
Itapema: 12,8% no recorte yield, líder nacional
Itapema lidera o ranking nacional do recorte MySide novembro/2025 com 12,8% de yield bruto anual no aluguel de temporada (ND Mais). Sustentam o número: diária média de R$ 240 a R$ 430 (MySide set/2025), ocupação de 82% com faturamento de R$ 13.500 (Casa Temporada) e fluxo de 800 mil turistas na temporada 2025/2026 (ND Mais). O m² é R$ 15.073, segundo mais caro do Brasil (FipeZap abril/2026 via MySide). Liderar o yield mesmo com ticket alto é consequência de diária resiliente e pico concentrado em janeiro.
Balneário Camboriú: 9,6% com o m² mais caro do país
BC aparece em segundo lugar no recorte MySide nov/2025 com 9,6% de yield bruto anual (ND Mais). Diária média de R$ 230 a R$ 480, com kitnets a partir de R$ 127 e topo chegando a R$ 1.900 (MySide set/2025). Ocupação alta temporada 87% com faturamento de R$ 15.500 (Casa Temporada). O m² é o mais caro do Brasil, R$ 15.146 (FipeZap abril/2026 via MySide). O yield não alcança Itapema porque o preço de aquisição comprime o cálculo. Em BC, o investidor compra mais por valorização patrimonial e liquidez do que por renda corrente.
Florianópolis: 8,4%, cruza o piso por pouco
Floripa fecha o pelotão com 8,4% bruto anual (ND Mais, MySide nov/2025). A capital lidera ocupação alta temporada entre as quatro cidades catarinenses com 88% e faturamento de R$ 16.000 (Casa Temporada). Diária média entre R$ 240 e R$ 540 (MySide set/2025), com topo em Jurerê Internacional de R$ 20.893 a R$ 36.179 por noite nos cinco imóveis mais caros (ND Mais Turismo). Pacotes vão de R$ 21 mil (Canasvieiras) a R$ 118 mil em Jurerê (NSC Total). A capital movimenta R$ 4,7 bilhões em um ano, com mais de 30 mil hospedagens ativas (ND Mais), e 40% dos lançamentos são voltados a temporada (Economia SC, Brain). O yield se mantém no fio do piso porque a concorrência cresceu rápido.
Por que cinco cidades importantes não aparecem com yield publicado
Bombinhas, Porto Belo, Itajaí, Penha e Itapoá circulam em qualquer conversa sobre temporada em SC, mas nenhuma delas tem yield bruto anual em percentual publicado em fonte whitelist no recorte atual. O que existe é dado complementar, qualitativo ou em outro recorte.
Bombinhas aparece com ocupação alta temporada de 85% e faturamento médio de R$ 14.000 (Casa Temporada dez/2025), é citada entre os dez melhores destinos nacionais para investir em Airbnb pelo MySide e tem mais de 10 mil leitos em uma cidade com 39 praias (ND Mais Turismo). O yield percentual isolado não foi publicado pela fonte oficial nesta leitura.
Porto Belo lidera o ranking estadual e nacional de vendas em 2025 com R$ 1,14 bilhão de VGV, à frente de Itapema (R$ 1,03 bi), Itajaí (R$ 779 mi) e BC (R$ 469 mi) (ND Mais, DWV App). A plataforma Airbnb agrupa Porto Belo com Bombinhas, o que impede isolar yield específico em estudo público whitelist nesta leitura.
Itajaí aparece com ROI composto 2019-2024 de 15,5% no recorte MySide setembro/2025, que mede valorização somada a diárias em seis anos (ND Mais). No recorte novembro/2025, que isolou yield anual corrente, Itajaí não aparece entre as três cidades catarinenses. O perfil é portuário e corporativo, com m² entre R$ 12.712 e R$ 12.780 e VGV que saltou de R$ 1,8 bi para R$ 7,3 bi entre junho/2022 e junho/2025 (ND Mais, Brain para Sinduscon Itajaí).
Penha foi o 10º destino de inverno mais procurado na plataforma Airbnb no Brasil em 2024 (ND Mais) e absorve fluxo de 2,5 a 3 milhões de visitantes/ano puxados pelo Beto Carrero. Materiais branded studio do ND Mais relatam “rendimentos robustos” e valorização de 55% desde 2020, sem yield percentual exato. Conteúdo branded é pago, então o número não pode ser tratado como independente.
Itapoá, Piçarras e Garopaba seguem o mesmo padrão. Itapoá teve crescimento populacional de 108,3% desde 2010, o maior de SC (NSC Total). Garopaba valorizou mais de 50% em 10 anos e adotou modelo de “luxo horizontal” com construções de até dois pavimentos (NSC Total). Balneário Piçarras é a 5ª cidade do Brasil que mais atraiu empreendimentos de luxo em 2024 (ND Mais, IDI Brasil). Mas em nenhuma há yield bruto anual percentual publicado.
A leitura honesta: nessas cidades, quem investe em temporada confia na tese estrutural (turismo, lançamentos, infraestrutura, demografia), não em yield corrente medido. É posição legítima, mas é diferente da posição de quem entra em Itapema, BC ou Floripa com número publicado e auditável.
Yield bruto vs yield líquido: o que sobra depois da Reforma Tributária e dos custos
Os 12,8% de Itapema, 9,6% de BC e 8,4% de Floripa são yield bruto, antes de qualquer custo. Para análise de investimento séria, três camadas de desconto entram.
A primeira é a tributação após Reforma 2026. A reforma equipara aluguel por Airbnb à hospedagem hoteleira, somando IBS (17% a 18%) e CBS (cerca de 8,8%) em alíquota combinada de 26,5% a 27,3% para hospedagem de curta duração com fator redutor. Afeta proprietários com mais de três imóveis e faturamento acima de R$ 240 mil, ou até três imóveis com receita acima de R$ 288 mil (ND Mais, Laura Pacheco/IBF). Em perfis enquadrados plenamente como prestador de serviço sem fator redutor, a carga pode chegar a 44% (ND Mais, Nova Lei do Aluguel). Há isenção de IR para rendimentos de aluguel até R$ 5.000 mensais a partir de 2026, mas aplicável ao pequeno anfitrião, não ao operador profissional (NSC Total).
A segunda camada é o custo operacional de temporada: taxa de gestão profissional (faixa de mercado 15% a 25%, sem fonte whitelist com número exato cidade a cidade em SC nesta leitura), comissão Airbnb (3% do anfitrião mais repasse ao hóspede), cleaning fee variável, IPTU integral, condomínio integral, energia, água, wifi e manutenção acelerada por uso turístico. Para abater carga tributária, são dedutíveis IPTU, condomínio, taxas Airbnb, manutenção e limpeza com comprovação (NSC Total).
A terceira camada é a volatilidade de ocupação. A alta temporada concentra os 82% a 88% reportados pela Casa Temporada em três meses de pico (dezembro a fevereiro). Os outros nove meses diluem o yield real, e o dado público exato de ocupação Airbnb em baixa temporada por cidade SC não foi localizado em fonte whitelist nesta leitura, o que é a principal lacuna da modelagem de yield líquido.
Somando tributação plena (26,5% a 27,3% ou até 44%), gestão profissional (15% a 25%), comissão de plataforma e custos fixos, o yield líquido pode ficar entre 5 e 8 pontos percentuais abaixo do bruto, dependendo do regime tributário e da estrutura operacional. Itapema, mesmo liderando o ranking nacional, raramente entrega 12,8% no bolso do investidor.
Investimento
Fontes: Governo de SC/Secom (Estação Verão 2026), ND Mais (Fernanda Zwirtes, nov/2025), Economia SC (Brain Inteligência Estratégica, dez/2025), Casa Temporada (NSC Total dez/2025).
A leitura de quem está no mercado
A economista Laura Pacheco, do Instituto Brasileiro de Finanças, resumiu para o ND Mais a lógica por trás da equiparação tributária: “Teoricamente, eles entenderam que havia uma concorrência meio desleal. Entre o proprietário que tem um Airbnb e o dono de um hotel, um é tributado e reconhecido de uma forma e o outro de outra, mas ambos atendem a mesma finalidade, que é a hospedagem” (ND Mais, 25/12/2025).
A frase é importante porque marca o ponto de virada. Até 2025, o aluguel de temporada via Airbnb operou em uma lacuna fiscal que ajudou a inflar yields reportados em estudos públicos. A partir de 2026, com a equiparação a hospedagem hoteleira, o mercado deixa de ser informal/complementar e passa a operar com a mesma carga das redes hoteleiras tradicionais. Quem entra agora entra em um mercado profissionalizado, com tributação cheia, e precisa modelar yield líquido nesse novo regime, não no antigo.
Os riscos da tese yield: regulação, vacância e metodologia
Quatro riscos práticos comprimem a tese de yield acima de 8%, e nenhum deles é especulativo.
Risco regulatório municipal. Em Florianópolis, a vereadora Carla Ayres protocolou PL criando Cadastro Municipal de Hospedagem, exigência de Cadastur, alvará e retenção de ISS pela plataforma, aplicável a estadias de até 90 dias. Está em tramitação, ainda não sancionado (ND Mais, nov/2025). Em BC, Itapema, Bombinhas, Porto Belo, Itajaí, Itapoá, Penha e Piçarras não há lei municipal específica regulando Airbnb localizada em fonte whitelist nesta leitura, mas a federal já se aplica.
Risco condominial. O STJ definiu que condomínios residenciais podem proibir Airbnb com base em convenção condominial, sem necessidade de aprovação em assembleia (ND Mais e NSC Total). Em decisão anterior, o STJ vetou proibição automática sem regra prévia (ND Mais). O investidor precisa consultar a convenção do empreendimento específico antes da compra, em qualquer cidade.
Risco de vacância em baixa temporada. O dado público exato de ocupação Airbnb em baixa temporada (março a novembro) por cidade SC não foi localizado em fonte whitelist nesta leitura. É a principal lacuna da modelagem. Imobiliárias de regiões turísticas (Lagoa da Conceição, Canasvieiras, Sul da Ilha) reportam até 90% na primeira quinzena de janeiro e algumas 100% no Reveillon (NSC Total). A FOHB SC, via vice-presidente Luciano Moura, projetou 90% de ocupação média para toda a temporada de verão nos hotéis (NSC Total). São números de pico, não de média anual.
Risco metodológico. Misturar ROI composto 2019-2024 (MySide set/2025), yield anual atual (MySide nov/2025) e faturamento absoluto (Casa Temporada dez/2025) gera erro factual. Cada estudo mede coisa diferente. Material promocional de loteamento ou construtora que apresenta “yield de 17%” para Itapema está citando ROI composto histórico, não yield corrente. Análise patrimonial honesta separa os três recortes.
Para quem o piso de 8% serve
A tese yield acima de 8% serve para o decisor patrimonial que enquadra o imóvel como ativo produtivo, exige caixa mensal corrente e tolera os 9 meses de baixa diluindo o pico. Horizonte de 5 a 8 anos combinando renda com valorização. Capital acima de R$ 700 mil disposto a entrar em Itapema, BC ou Floripa nas zonas premium em que o estudo MySide concentra a amostra. Famílias que aceitam segunda residência parcialmente auto-financiada e uso pessoal restrito à baixa temporada.
A tese não serve para quem busca renda passiva totalmente automática (aluguel anual em cidade industrial como Joinville, com yield de 5,19% em FipeZap fev/2026 (MySide), é mais previsível e menos trabalhoso). Não serve para horizonte de revenda em 1 a 2 anos (liquidez de venda rápida é razoável apenas em BC e Floripa). Não serve para ticket abaixo de R$ 400 mil em zonas premium. E não serve para quem confunde yield bruto com retorno no bolso.
Perguntas frequentes
Quais cidades de Santa Catarina cruzam 8% de yield bruto anual no aluguel de temporada em 2026?
Por que Itajaí não aparece com yield acima de 8% se aparecia entre as melhores cidades em estudos anteriores?
O yield de 12,8% em Itapema é o valor real que o investidor recebe no bolso?
Como a Reforma Tributária 2026 muda o aluguel por temporada em SC?
Por que Bombinhas, Porto Belo, Penha, Itapoá e Garopaba não aparecem com yield publicado?
Onde encontro análise patrimonial atualizada sobre yield, valorização e regulação de temporada por cidade em SC?
Por André Santos
Editor responsável · Viver em SC
Fontes consultadas: ND Mais (MySide nov/2025 e set/2025) · NSC Total (Casa Temporada dez/2025) · Economia SC (jan/2026) · FOHB SC (NSC Total dez/2024) · Governo de SC / Secom Estação Verão 2026 · FipeZap via MySide (abr/2026)
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Informações extraídas de fontes públicas (FipeZap, IBGE, CRECI-SC, MySide, sites oficiais das construtoras, entre outras) e revisadas pela redação. Se encontrar um erro, relate aqui.