Por André Santos
Editor responsável · Viver em SC
Fontes consultadas: FipeZap (leitura mai/2026) via ND Mais · Gazeta do Povo com FipeZap (01/07/2026) · IMA / Governo de SC (licença do alargamento, oficial) · NSC Total (obra de alargamento da Meia Praia) · ND Mais (superparque, roda-gigante It!Wheel, VGV via DWV) · NegóciosSC (perspectivas do mercado imobiliário SC 2026) · IBGE (Censo 2022, Estimativa 2025, IDH, área, PIB per capita) · Site oficial Santana Construtora
Pela primeira vez desde 2022, o topo do ranking do metro quadrado residencial mais caro do Brasil mudou de dono. Itapema atingiu média de R$ 15.226/m² na leitura de maio de 2026 do FipeZap, superando os R$ 15.215/m² de Balneário Camboriú e assumindo a liderança nacional (FipeZap via ND Mais). A margem que separa as duas cidades é o próprio ângulo desta análise: a diferença é de R$ 11/m², ou 0,07% (cálculo sobre FipeZap mai/2026 via ND Mais). Balneário Camboriú, que detinha o primeiro lugar nacional desde 2022, foi ultrapassada por um valor menor do que o custo de um metro quadrado de reboco.
O ViverEmSC é uma plataforma editorial independente de análise de investimento em cidades de Santa Catarina, e trata esta virada como o que ela é: uma liderança tecnicamente conquistada, mas dentro da margem de ruído do índice. Há um driver físico real por trás da tese de valorização de Itapema, o alargamento da faixa de areia da Meia Praia, orçado em R$ 60 milhões e já com licença ambiental emitida pelo IMA (IMA / Governo de SC, 07/05/2026). Ao mesmo tempo, o volume de vendas em Santa Catarina recuou 5,4% no primeiro semestre de 2025, com 22.946 unidades comercializadas (NegóciosSC). A pergunta editorial é explícita: virada estrutural ou foto de um mês?
Onde fica Itapema
Por que Itapema chegou ao topo do ranking nacional
A liderança de maio de 2026 não é um evento isolado: ela se apoia em um conjunto de fatores demográficos, físicos e de mercado documentados em fontes oficiais e jornalísticas. Os seis pontos abaixo sustentam a leitura de que a cidade tinha combustível para disputar o primeiro lugar.
- Itapema cresceu 65,82% em população entre 2010 e 2022, sendo reconhecida em 2023 como o município que mais cresceu em Santa Catarina (Câmara de Vereadores de Itapema).
- A população saltou de 75.940 habitantes no Censo 2022 para 86.116 na estimativa de 2025 (IBGE), pressionando a demanda por moradia em uma área de apenas 58,21 km² (IBGE).
- A valorização de 12 meses foi de 6,35% em Itapema contra 2,94% em Balneário Camboriú, segundo a cobertura da leitura FipeZap (FipeZap via ND Mais).
- No acumulado de 2026, Itapema avançou 2,46% contra 1,50% de Balneário Camboriú (FipeZap via ND Mais).
- Itapema fechou 2025 com R$ 4,1 bilhões em VGV e cerca de 18 mil unidades, o 1º lugar nacional em valor de imóveis vendidos, à frente de Balneário Camboriú (ND Mais citando DWV).
- Santa Catarina concentra 4 das 5 cidades com o metro quadrado mais caro do Brasil (Gazeta do Povo com FipeZap), o pano de fundo regional que ampara a subida de Itapema.
Custo de vida em Itapema — valores mensais
| Item | Média |
|---|---|
| m² médio Itapema (FipeZap agregado, mai/2026) | R$ 15.226 |
| m² médio Balneário Camboriú (FipeZap agregado, mai/2026) | R$ 15.215 |
| Cesta básica mensal (metodologia DIEESE) | R$ 512 |
FipeZap via ND Mais e Gazeta do Povo; cesta básica pela metodologia DIEESE.
O quadro de custo acima usa apenas indicadores de fonte agregada ou oficial: o índice FipeZap para o metro quadrado e a metodologia DIEESE para a cesta básica. Valores de aluguel, refeição e serviços de Itapema circulam em fontes secundárias de mercado e ficam fora desta tabela por não terem corte oficial confirmado, em coerência com a política editorial do ViverEmSC de não misturar índice agregado com estimativa de anunciante.
Mapa intra-Itapema: onde o m² de topo se forma
O índice FipeZap não publica corte oficial por bairro para Itapema. Os valores desagregados abaixo vêm de fontes secundárias com metodologias distintas e servem como referência de faixa, nunca como índice oficial de bairro. A etiqueta de fonte aparece em cada card.
Meia Praia
MOTOR DO CICLOm² em faixa observada de bairro (MySide), não índice FipeZap por bairro: R$ 12.000 a R$ 22.000/m² (faixa entre tipologias)
Maior e mais famosa praia de Itapema, cerca de 5 km de extensão, com Parque Calçadão, comércio, hotéis e restaurantes ao longo da Av. Nereu Ramos. É o bairro que concentra o produto de alto ticket que puxa o m² de topo da cidade.
Alvo direto do alargamento de R$ 60 milhões em 2026, o driver físico da tese de valorização.
Fonte: MySide (faixa de bairro), Prefeitura de Itapema (turismo)
Centro
CONSOLIDADO URBANOm² em estimativa de mercado da Koch Construtora atribuída ao FipeZap dez/2025, não índice oficial por bairro: R$ 9.000/m² (média do bairro)
Praia Central com cerca de 1,5 km de extensão e a Av. Nereu Ramos como corredor comercial consolidado. Concentra o estoque pronto da sede municipal.
Núcleo urbano histórico e sede municipal, com ticket por m² mais baixo que a orla da Meia Praia.
Fonte: Pesquisa Koch Construtora (blog, atribuída ao FipeZap dez/2025)
Morretes
EXPANSÃO PRINCIPALm² em estimativa de mercado da Koch Construtora atribuída ao FipeZap dez/2025, não índice oficial por bairro: R$ 11.000/m² (média do bairro, cerca de 27% abaixo da média municipal)
Vetor de expansão da cidade, recebe 160 unidades do programa habitacional municipal Casa Itapema. Ticket de bairro abaixo da média de cidade na leitura secundária.
Maior bairro residencial em população e vetor de expansão mais quente, com pipeline ativo de lançamentos em 2026.
Fonte: Pesquisa Koch Construtora (blog), ND Mais (Casa Itapema)
Casa Branca
EXPANSÃO FAMILIARm² em cadastro Proprietário Direto (anúncios sem corretagem), metodologia distinta do FipeZap: R$ 9.275/m² (2 dorms, 50-150 m², mai/2026)
Bairro oficial separado da região de praias pela BR-101, residencial familiar. Concentra os equipamentos estruturantes de saúde e lazer que a cidade está entregando fora da orla.
Bairro que mais muda de perfil em 2026: recebe o novo Hospital Municipal, o Superparque e 720 unidades do Casa Itapema.
Fonte: Proprietário Direto (IPD), ND Mais (Superparque), Prefeitura de Itapema (Hospital)
Investimento
A virada de Itapema em números
Números desagregados por bairro não são FipeZap oficial. O corte de 12 meses e o acumulado de 2026 vêm da cobertura da leitura FipeZap de maio publicada por ND Mais. Valorização passada não garante futura, e a Selic projetada em torno de 12,25% ao ano no fim de 2026 concorre pelo capital (NegóciosSC).
A palavra da Prefeitura sobre o alargamento
O gatilho físico da tese de valorização tem porta-voz institucional. Em entrevista ao ND Mais sobre a megaobra da Meia Praia, o prefeito de Itapema foi direto sobre a expectativa de ganho patrimonial.
“A gente vai ter o alargamento, vai conseguir fazer uma nova orla, Avenida Beira Mar, que com certeza vai aumentar os valores dos imóveis em mais de 30%”
Alexandre Xepa, Prefeito de Itapema (Prefeitura de Itapema), ao ND Mais, 17/05/2026
A projeção de mais de 30% é fala do gestor municipal sobre o efeito esperado da obra, não índice de mercado. Vale registrá-la como o vetor de cima que a administração pública desenha para a orla, e não como número de valorização confirmado.
Infraestrutura: as obras que ancoram a tese
Duas mega-obras sustentam a leitura de que a subida de Itapema tem lastro físico, e não só estatístico. A principal é o alargamento da Meia Praia.
O alargamento da faixa de areia da Meia Praia está orçado em R$ 60 milhões, com R$ 30 milhões do Estado e R$ 30 milhões da Prefeitura, e execução prevista entre julho e outubro de 2026, antes da temporada de verão (NSC Total). A obra prevê o lançamento de areia ao longo de aproximadamente 4.750 metros da orla, com a faixa passando de cerca de 15 metros para até 60 metros de largura, e conta com Licença Ambiental de Instalação emitida pelo IMA (IMA / Governo de SC, 07/05/2026). O volume de material é estimado a partir de 416 mil m³ de areia dragada, segundo a mesma licença. É o único item deste post com fonte governamental direta sobre a obra que dá corpo à tese de valorização da orla.
A segunda obra fica fora da praia, no bairro de expansão. A Prefeitura anunciou o Superparque Parque da Família, no bairro Casa Branca, orçado em R$ 16 milhões, com academia ao ar livre, playground, pista de cooper, pista de skate e quadras poliesportivas iluminadas (ND Mais). No mesmo bairro, está em construção o novo Hospital Municipal de Itapema, com 3.968,04 m² de área construída e 77 leitos de média complexidade (Prefeitura de Itapema). O eixo Casa Branca reúne saúde, lazer e habitação popular, ancorando a valorização dos bairros de expansão enquanto a Meia Praia sustenta o m² de topo.
No mesmo bairro da orla, uma construtora local ilustra o pipeline ativo que alimenta o metro quadrado de topo. A Santana Construtora, com sede na Av. Nereu Ramos, 3364, em Meia Praia, mantém o Cologny Residence em pré-lançamento (2 e 3 dormitórios, 69,72 a 70 m²) e o Enseada Residence em construção (216 a 436 m², 4 suítes, frente-mar, 88 unidades) (site oficial Santana Construtora). Os dois extremos de tipologia no mesmo bairro, ticket de entrada e alto ticket frente-mar, mostram o mix que puxa a média municipal para o topo do ranking.
Leitura dos dados
Os cards abaixo são cálculos comparativos derivados das fontes citadas. Nenhum é opinião nem projeção de mercado.
A leitura direta é que a liderança de Itapema é maior no ritmo de valorização (6,35% contra 2,94% em 12 meses) do que no nível de preço, onde a distância é de 0,07%. O contraponto está na mesma linha de dados: enquanto o preço de topo subiu, o volume de vendas do estado recuou 5,4% no primeiro semestre de 2025.
O que a imprensa local diz
“Pela primeira vez, Itapema (SC) assumiu a liderança nacional do valor do metro quadrado residencial, atingindo média de R$ 15.226 em maio de 2026.” (Gazeta do Povo, 01/07/2026)
“O valor supera ligeiramente os R$ 15.215 de Balneário Camboriú, que detinha o primeiro lugar desde 2022.” (Gazeta do Povo, 01/07/2026)
“A mudança representa uma inversão no topo do ranking nacional. Balneário Camboriú ocupava a primeira colocação desde 2022.” (ND Mais, 02/06/2026)
“Santa Catarina concentra quatro das cinco cidades mais valorizadas do país, segundo a FipeZap, e segue no radar dos compradores de luxo.” (ND Mais, 02/06/2026)
“O preço do metro quadrado é um indicador importante, mas não pode ser analisado sozinho.” (ND Mais, 02/06/2026)
Para quem Itapema faz sentido, e para quem não faz
A decisão patrimonial se resolve por perfil, não pela manchete do ranking. Itapema faz sentido para o investidor que enxerga o alargamento da Meia Praia como vetor de upside físico, aceita entrar em uma cidade que já está no topo do metro quadrado nacional e tem horizonte para acompanhar a entrega da nova orla entre julho e outubro de 2026. Faz sentido também para quem busca liquidez de mercado comprovada: a cidade liderou o VGV nacional em 2025 com R$ 4,1 bilhões, sinal de profundidade de demanda.
Itapema não faz sentido para quem espera repetir a valorização passada como garantia de retorno. A liderança sobre Balneário Camboriú é de 0,07%, dentro da margem de ruído do índice, e pode reverter na leitura seguinte. Também não faz sentido para o investidor que precisa de renda fixa de curto prazo com o capital: a Selic projetada em torno de 12,25% ao ano no fim de 2026 concorre diretamente pelo dinheiro, e o volume de vendas do estado desacelerou 5,4% no primeiro semestre de 2025. Quem entra perto do teto do ciclo assume o risco de que a subida do preço de topo não seja acompanhada pelo giro de vendas.
Virada estrutural ou foto de um mês?
A resposta honesta é que os dados sustentam as duas leituras ao mesmo tempo. A favor da virada estrutural pesa o driver físico: o alargamento da Meia Praia tem licença ambiental oficial do IMA, orçamento de R$ 60 milhões definido e prazo de execução dentro de 2026, além de um ritmo de valorização de 12 meses mais que o dobro do de Balneário Camboriú na cobertura FipeZap. A favor da foto de um mês pesa a margem de R$ 11/m², que equivale a 0,07% e cabe na oscilação normal do índice, somada ao recuo de 5,4% no volume de vendas do estado.
O ViverEmSC compila os dados oficiais e jornalísticos, etiqueta as metodologias e declara as ressalvas quando a fonte primária por bairro não existe. A leitura de que Itapema é hoje o metro quadrado mais caro do Brasil é factual e datada em maio de 2026. Se essa liderança vira tendência ou volta para Balneário Camboriú na próxima medição é o que a entrega do alargamento e o giro de vendas dos próximos trimestres vão dizer. A decisão patrimonial é sempre do investidor.
FAQ
Perguntas frequentes
Itapema é mesmo o metro quadrado mais caro do Brasil em 2026?
Qual a diferença de preço entre Itapema e Balneário Camboriú?
O que é o alargamento da Meia Praia e por que ele importa para o preço?
A liderança de Itapema é estrutural ou pode reverter no mês seguinte?
Quanto Santa Catarina domina o ranking do metro quadrado mais caro?
Como o ViverEmSC ajuda a decidir sobre investir em Itapema?
Por André Santos
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Fontes consultadas: FipeZap (leitura mai/2026) via ND Mais · Gazeta do Povo com FipeZap (01/07/2026) · IMA / Governo de SC (licença do alargamento, oficial) · NSC Total (obra de alargamento da Meia Praia) · ND Mais (superparque, roda-gigante It!Wheel, VGV via DWV) · NegóciosSC (perspectivas do mercado imobiliário SC 2026) · IBGE (Censo 2022, Estimativa 2025, IDH, área, PIB per capita) · Site oficial Santana Construtora
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Informações extraídas de fontes públicas (FipeZap, IBGE, CRECI-SC, MySide, sites oficiais das construtoras, entre outras) e revisadas pela redação. Se encontrar um erro, relate aqui.