Por André Santos
Editor responsável · Viver em SC
Fontes consultadas: FipeZAP Venda Residencial jan/2026 · IBGE Censo 2022 e estimativa 2025 · Central de Ajuda Airbnb (taxas de serviço) · Receita Federal do Brasil (nota oficial jan/2026) · STJ - Superior Tribunal de Justiça (07/05/2026) · ND Mais / Loft (fev/2026) · PANROTAS / BC Convention & Visitors Bureau (mar/2025) · NSC Total (dez/2024)
Quem planeja comprar um apartamento em Balneário Camboriú para alugar por temporada costuma começar a conta pela pergunta errada: “qual é a taxa municipal de Airbnb que vou pagar?”. A resposta, em junho de 2026, é direta: não existe taxa municipal específica de aluguel de temporada nem regulamentação municipal de short-term rental vigente em Balneário Camboriú (Debate Jurídico). A “taxa de turismo” que circula no boca a boca da cidade é outra coisa: a Taxa de Permanência para Veículos de Turismo, da Lei 4.999/2025, que incide sobre ônibus, micro-ônibus e vans, não sobre hospedagem (Controladoria Geral do Município de BC).
Este texto é uma análise de investimento, não um panfleto de corretagem. A ViverEmSC é uma plataforma editorial independente e não é imobiliária: não vende nem intermedia imóvel. O ponto para o decisor patrimonial é que a surpresa do yield em BC não vem de uma taxa que a prefeitura cobraria. Ela vem de uma pilha real e rastreável: a taxa da plataforma Airbnb, o condomínio mais caro do país, a nova camada federal de IBS/CBS da reforma tributária e o risco condominial criado pela decisão do STJ de maio de 2026. É essa pilha que separa o yield bruto do yield líquido.
Onde fica Balneário Camboriú
Por que tanta gente acredita numa taxa que não existe
Balneário Camboriú tem R$ 15.030/m² de preço médio de venda, o maior entre as cidades monitoradas pelo FipeZAP em janeiro de 2026, 55,8% acima da média nacional de R$ 9.642 (FipeZAP jan/2026). Uma cidade que cobra esse ticket e recebe cerca de 3,7 milhões de turistas por ano (Secretaria de Turismo de BC) parece o cenário óbvio para uma taxa municipal de temporada. Várias capitais e cidades turísticas brasileiras discutem cadastros e taxas próprias, e isso alimenta a suposição.
A confirmação, porém, é negativa e tem fonte. BC segue sem regulação específica de aluguel de temporada, e o que existe é a Taxa de Permanência para Veículos de Turismo: um selo que ônibus, micro-ônibus e vans precisam adquirir ao chegar na cidade, com valores de 2025 entre R$ 107,89 (van com pernoite) e R$ 431,54 (ônibus em visita sem pernoite), conforme a Lei 4.999/2025 (Controladoria Geral do Município de BC). Essa taxa não toca o anfitrião de Airbnb. O memorando de cooperação com o Airbnb anunciado em 2025, que confunde muita gente, foi de Florianópolis, não de Balneário Camboriú.
A consequência prática para o decisor patrimonial: nenhuma linha do seu yield líquido em BC corresponde a uma “taxa municipal de Airbnb”. Quem reservou margem para ela superdimensionou um custo, e quem ignorou as quatro camadas reais subdimensionou o resto.
A pilha que de fato come o yield bruto
Aqui estão as camadas que separam a receita bruta do que sobra no bolso, cada uma com fonte. Nenhuma delas é uma taxa municipal de temporada.
- Taxa da plataforma Airbnb: 16% da diária. No modelo de taxa única (host-only) para anúncios no Brasil, o anfitrião arca com 16% do valor; o padrão global é 15,5% e a faixa geral fica entre 14% e 16% (Central de Ajuda Airbnb).
- Condomínio, o mais caro do país. A média de BC é R$ 1.052/mês, com alta de 25% em 12 meses, e em bairros de super-luxo passa de R$ 1.400/mês (ND Mais / Loft, estimativa de mercado). Esse custo é fixo e roda os 12 meses, inclusive na baixa temporada sem hóspede.
- IBS/CBS da reforma tributária (camada federal, não municipal). A LC 214/2025 e sua regulamentação equipararam a locação residencial por prazo inferior a 90 dias a serviços de hotelaria para fins de IBS e CBS. A pessoa física só vira contribuinte se tiver mais de 3 imóveis locados e receita anual de aluguel acima de R$ 240 mil (Receita Federal do Brasil, nota oficial jan/2026).
- ISS municipal, só quando há serviço. O ISS incide sobre o item 9.01 (“hospedagem de qualquer natureza; ocupação por temporada com fornecimento de serviço”), com alíquota geral em BC na faixa de 2% a 5% (LeisMunicipais - ISSQN BC). A locação por temporada sem prestação de serviço de hospedagem não é fato gerador de ISS (Súmula 31 do STF). A alíquota exata do item 9.01 em BC é uma lacuna: não foi confirmada em fonte primária aberta, por isso fica a faixa.
- Risco condominial pós-STJ. Em 07/05/2026, a Segunda Seção do STJ decidiu, por 5 a 4, que oferecer imóvel em Airbnb, Booking ou Vrbo em condomínio de destinação estritamente residencial depende de autorização expressa na convenção, aprovada por 2/3 dos condôminos (STJ, 07/05/2026). Empreendimentos em zona de destinação turística originária, cujo memorial já prevê uso transitório, recebem tratamento diferenciado, o que alcança boa parte de BC e da Praia Brava.
Camadas de custo sobre a renda de Airbnb em BC (2026)
| Camada de custo | Valor | Fonte |
|---|---|---|
| Taxa de serviço Airbnb (anfitrião, host-only) | 16% da diária | Central de Ajuda Airbnb |
| Condomínio médio da cidade | R$ 1.052/mês | ND Mais / Loft (estimativa de mercado) |
| Condomínio médio Barra Sul | R$ 1.400/mês | ND Mais / Loft (estimativa de mercado) |
| ISS item 9.01 (só com serviço de hospedagem) | 2% a 5% | LeisMunicipais ISSQN BC |
| Taxa municipal específica de Airbnb | não existe | confirmação negativa (Debate Jurídico) |
Yield por bairro: estimativa com premissas explícitas, não dado oficial
Airbnb não publica yield oficial por bairro, e agregadores comerciais não entram como fonte aqui. Por isso o cálculo abaixo é uma estimativa montada com premissas explícitas, não um número oficial. As premissas são: preço de compra a R$ 15.030/m² (FipeZAP jan/2026); receita bruta igual a diária média multiplicada por ocupação e por 365 dias; e dedução da taxa Airbnb de 16%, do condomínio do bairro, de limpeza e de vacância.
Dois alertas honestos sobre os limites do exercício. Primeiro, a diária média de temporada em BC é uma lacuna: não há fonte confiável com diária agregada, e os valores de anúncios de Reveillon (de cerca de R$ 750 a R$ 3.000/dia em frente-mar) são listagens comerciais, não dado oficial. Segundo, o FipeZAP não desagrega preço de m² por bairro em BC; os números por bairro de condomínio vêm do levantamento Loft e são estimativa de mercado, não dado oficial. Logo, qualquer yield por bairro que você vir, aqui ou em qualquer site, é estimativa, não medição.
O que é seguro afirmar é a estrutura de custo fixo por bairro, que muda o yield líquido mesmo com a mesma diária. Quanto mais alto o condomínio, mais a baixa temporada pesa, porque o custo roda 12 meses e a receita se concentra no verão.
Barra Sul
Alto padrão / super-luxoConcentra os arranha-céus residenciais de super-luxo de BC, com ticket médio acima de R$ 8,8 milhões (Loft). Condomínio de R$ 1.400/mês comprime o yield líquido na baixa temporada, quando a receita some mas o custo fixo permanece. Estimativa de mercado, não dado oficial por bairro.
Maior condomínio médio da cidade
Fonte: ND Mais / Loft (estimativa de mercado)
Centro
Alto padrão / verticalizadoBairro mais adensado e turístico de BC, próximo à Praia Central, com alta densidade de unidades de temporada e concorrência elevada entre anfitriões. Condomínio médio de R$ 900/mês. Estimativa de mercado, não dado oficial por bairro.
Maior densidade de unidades de temporada
Fonte: ND Mais / Loft (estimativa de mercado)
Pioneiros
Alto padrão residencialBairro residencial de alto padrão. Entre os três da cidade levantados, tem o menor condomínio médio, R$ 855/mês, o que alivia o custo fixo que roda fora da alta temporada. Estimativa de mercado, não dado oficial por bairro.
Condomínio médio relativamente mais baixo
Fonte: ND Mais / Loft (estimativa de mercado)
Praia Brava
Destinação turística origináriaCitada como zona de destinação turística originária, onde o memorial de incorporação já prevê uso transitório das unidades. Tende a receber tratamento diferenciado frente à decisão do STJ sobre Airbnb em condomínio, ao lado de casos como Jurerê Internacional. Sem desagregação oficial de m² por bairro.
Memorial já prevê uso transitório
Fonte: Debate Jurídico
A demanda existe; o custo fixo é que define o resultado
Do lado da receita, os números de BC são fortes e oficiais na alta temporada. A ocupação hoteleira bateu 89,61% em fevereiro de 2025, o maior índice em cinco anos (PANROTAS / BC Convention), e o Reveillon 2024/2025 ficou entre 95% e 98% (NSC Total). A cidade tem cerca de 24 mil leitos na rede hoteleira (NSC Total) e recebe cerca de 3,7 milhões de turistas por ano (Secretaria de Turismo de BC).
Andrezza Negrini, presidente do BC Convention & Visitors Bureau, atribuiu a ocupação recorde a uma estratégia de posicionamento: “Esse crescimento é fruto de um trabalho contínuo de promoção e posicionamento de Balneário Camboriú como um destino conceitual dentro do Brasil” (PANROTAS, mar/2025).
O ponto cego do investidor é que esses números são de alta temporada. Não há média anual oficial de ocupação, e a baixa temporada é sensivelmente menor. Como o condomínio de R$ 1.052/mês roda os 12 meses, o resultado do ano depende muito mais do quanto a baixa temporada custa do que do pico do verão.
Leitura dos dados
O que a imprensa local e as fontes dizem
“Balneário Camboriú segue sem regulação específica, o que abre espaço para empreendimentos concebidos desde a origem com perfil turístico.” (Debate Jurídico)
“Oferecer imóvel em Airbnb, Booking ou Vrbo em condomínio de destinação estritamente residencial depende de autorização expressa.” (Debate Jurídico)
“A ocupação da rede de hotelaria em Balneário Camboriú já está em quase 100% para as festas.” (NSC Total)
“O condomínio é um custo fixo relevante e tende a acompanhar o padrão dos imóveis.” (ND Mais)
“Na Barra Sul, por exemplo, o condomínio elevado acompanha imóveis com tíquete médio acima de R$ 8,8 milhões.” (ND Mais)
O custo de entrada e quem constrói o estoque de temporada
O aporte de capital começa no preço de venda: a R$ 15.030/m², um apartamento de 152 m² parte de algo na casa de R$ 2,3 milhões só de imóvel, antes de mobília e enxoval. É esse capital imobilizado que o yield precisa remunerar, e por isso a conta líquida importa tanto.
No lado da oferta de alto padrão, a Embraed é uma das incorporadoras com pipeline ativo na cidade, com 48 empreendimentos entregues e 763 mil m² construídos (Embraed). Entre os projetos em obra estão o Gales Village, no Centro, com 43 andares e 139 metros de altura, e o Hyde, de 63 andares e cerca de 200 metros em frente-mar (Embraed). Para o investidor de temporada, o dado relevante não é a altura, e sim que esse estoque novo de super-luxo carrega o condomínio mais alto da cidade, o que desloca o ponto de equilíbrio do yield líquido para cima.
Investimento
Retorno do investimento em Airbnb em Balneário Camboriú
Fontes: FipeZAP jan/2026; Central de Ajuda Airbnb; ND Mais / Loft (estimativa de mercado); PANROTAS / BC Convention. Diária média de temporada e yield por bairro são lacunas: tratados como estimativa com premissas explícitas, não dado oficial.
Minha leitura do mercado de temporada em BC
Acompanhando o mercado catarinense, o erro mais comum que vejo em quem mira Airbnb em Balneário Camboriú é montar a tese sobre o yield bruto do verão e tratar tudo o que vem depois como detalhe. A cidade tem demanda real, isso os números oficiais de ocupação confirmam. O problema é que a euforia da diária de Reveillon esconde a estrutura de custo que roda o ano inteiro.
Minha leitura é que, em BC, a variável que decide o investimento não é a receita de pico, e sim a soma de custos fixos com a baixa temporada. O condomínio mais caro do país não é uma nota de rodapé: ele transforma os meses de inverno, quando a ocupação despenca, no verdadeiro teste do ativo. Some a isso a taxa de 16% da plataforma, que muita gente esquece de descontar, e a camada nova de IBS/CBS para quem opera em escala, e o yield líquido fica bem distante do bruto anunciado.
Há também um ponto que considero subestimado: a decisão do STJ de maio de 2026 introduz risco jurídico onde antes havia liberdade presumida. Comprar numa torre estritamente residencial sem cláusula autorizando temporada virou uma aposta que pode terminar em assembleia. Por outro lado, empreendimentos com perfil turístico de origem, como na Praia Brava, saem na frente justamente por terem essa segurança no memorial. Para o decisor patrimonial, isso significa que o due diligence da convenção condominial passou a valer tanto quanto a planilha de diárias. Não é uma taxa municipal que vai te surpreender em BC; é o que está escrito na convenção do prédio e o que sobra depois das quatro camadas reais de custo.
Para quem o Airbnb em BC faz sentido
- Investidor que compra em empreendimento de destinação turística originária, com uso transitório previsto no memorial, reduzindo o risco da decisão do STJ.
- Quem modela o retorno pelo yield líquido anual, já descontando 16% de plataforma, condomínio dos 12 meses, limpeza e vacância de baixa temporada.
- Operador que entende a sazonalidade e não projeta a ocupação de fevereiro para o ano inteiro.
Para quem tende a não fazer sentido
- Quem compra em torre estritamente residencial sem cláusula que autorize temporada, sob risco de barreira em assembleia (STJ, 2/3 dos condôminos).
- Quem dimensiona o retorno só pelo verão e ignora que o condomínio mais caro do país roda também na baixa.
- Quem esperava economizar com uma “taxa municipal” inexistente e não reservou margem para a pilha real de custos.
FAQ
Perguntas frequentes
Existe taxa municipal de Airbnb em Balneário Camboriú em 2026?
Então o que de fato reduz o yield de Airbnb em BC?
Quem aluga por temporada vai pagar o novo imposto da reforma tributária?
O condomínio pode barrar meu Airbnb depois da decisão do STJ?
Dá para saber o yield exato por bairro em BC?
Como acompanhar a evolução desses custos e regras em BC?
Por André Santos
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Fontes consultadas: FipeZAP Venda Residencial jan/2026 · IBGE Censo 2022 e estimativa 2025 · Central de Ajuda Airbnb (taxas de serviço) · Receita Federal do Brasil (nota oficial jan/2026) · STJ - Superior Tribunal de Justiça (07/05/2026) · ND Mais / Loft (fev/2026) · PANROTAS / BC Convention & Visitors Bureau (mar/2025) · NSC Total (dez/2024)
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Informações extraídas de fontes públicas (FipeZap, IBGE, CRECI-SC, MySide, sites oficiais das construtoras, entre outras) e revisadas pela redação. Se encontrar um erro, relate aqui.